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Tela de proteção para gatos: por que o gato não sai de casa

Gato vive dentro de casa, e gato de apartamento vive atrás de tela. Não tem meio-termo: é a regra que mantém o gato vivo. Por que a rua e a janela aberta são perigosas, como telar a casa inteira e como fazer da vida lá dentro uma vida boa.

Gato pode sair de casa? Não

Quem procura tela de proteção para gatos já entendeu o principal: gato fica dentro de casa, sem exceção. Gato com acesso à rua não é aceitável. Gato de apartamento sem tela em todas as janelas também não. Não importa se o gato é calmo, se é castrado, se mora no térreo ou se "sempre voltou".

A regra não é capricho de protetor. Dentro de casa, o gato não é atropelado, não come veneno, não pega doença de briga, não some e não cai. Entre veterinários há acordo num ponto: manter o gato dentro de casa a vida inteira aumenta a chance de ele viver mais. O que a casa precisa oferecer em troca está mais abaixo.

Por que não deixar o gato sair: o que acontece na rua

Quase nada do que acontece com um gato na rua tem volta.

  • Atropelamento. Gatos atravessam ruas correndo, à noite, assustados. Carro e moto matam gatos com acesso à rua em todo bairro, todos os anos.
  • Envenenamento. Veneno de rato, o chumbinho (um veneno proibido e ainda muito usado contra animais) e iscas espalhadas por quem não quer gatos no quintal.
  • Brigas. Gatos defendem território, e mordidas infeccionam e viram abscessos.
  • FIV e FeLV. A FIV, a imunodeficiência felina, passa principalmente por mordida, e é mais comum em machos não castrados que brigam. A FeLV, a leucemia felina, passa pela saliva, no contato próximo, na lambida e na tigela dividida. Nenhuma das duas tem cura.
  • Esporotricose. Uma micose que os gatos pegam no solo e passam uns para os outros por arranhão e mordida. No Brasil, o gato doente é a principal fonte da doença para pessoas: o gato que briga na rua traz o problema para dentro de casa.
  • Maus-tratos. Um gato solto depende da boa vontade de cada pessoa que cruza com ele.
  • Fugas e gatos perdidos. Um susto, um cachorro, um barulho, e o gato corre para longe do território que conhece. Muitos não acham o caminho de volta.

A vacina, que o guia de vacinas para cães e gatos explica, não protege de nada disso.

Gato de apartamento: a síndrome do gato paraquedista

Gato de apartamento corre um risco que o gato de casa térrea quase não corre: a queda. Os veterinários chamam de síndrome do gato paraquedista o conjunto de lesões de um gato que cai de dois andares ou mais, e ela está entre os atendimentos de emergência mais frequentes nas cidades cheias de prédios. Não é acidente raro.

O que surpreende é quem cai: não só o gato agitado. Gatos se concentram tanto num pássaro, numa mariposa ou num inseto que perdem o apoio no parapeito; outros se assustam com um barulho, um aspirador, um trovão, e pulam para o lado errado. O gato mais calmo da casa também caça e também se assusta.

E cair de andar baixo não é cair com segurança. Num estudo de um hospital veterinário de Portugal com 81 gatos atendidos depois de uma queda, 69% tinham caído do segundo ao quarto andar, a maioria das quedas aconteceu à noite, só três gatos chegaram sem nenhuma lesão e cerca de um em cada cinco caiu mais de uma vez. Lesões no peito e no rosto foram as mais comuns. Gato não cai sempre de pé, e mesmo quando cai, o impacto quebra mandíbula, dentes, patas e machuca o pulmão.

Tela de proteção para gatos: todas as aberturas, antes do gato chegar

A tela só funciona se estiver em todo lugar: o gato acha a única janela sem tela.

Tele:

  • Todas as janelas, de todos os cômodos, inclusive as do banheiro e as da cozinha.
  • Sacadas e varandas, de ponta a ponta e até o teto quando o gato consegue escalar a grade.
  • Basculantes e vitrôs, que parecem pequenos demais e não são.
  • A área de serviço, onde a janela costuma ficar aberta para a roupa secar.
  • As janelas que "ficam sempre fechadas". Um dia alguém abre para arejar, uma visita, um técnico, um dia de calor.

E instale antes de o gato chegar, não "na semana seguinte". Os primeiros dias são os de mais susto e mais exploração, justamente quando uma janela aberta é mais perigosa. O guia como adotar um gato mostra que é também a primeira coisa que a ONG confere.

Como escolher e manter a tela

Contrate instalação profissional. O que faz a tela segurar um gato que pula nela é a fixação: ganchos bem espaçados, presos na alvenaria, rede bem esticada. Tela de velcro, tela removível e mosquiteiro não seguram um gato.

  • Malha de no máximo 5 x 5 cm. É o limite da norma técnica brasileira para redes de proteção de janelas e sacadas (ABNT NBR 16046). A malha de 3 x 3 cm é a escolha para filhotes e gatos pequenos, que passam a cabeça por onde não se espera.
  • Material resistente ao sol. Rede de polietileno ou de náilon com tratamento contra raios UV, feita conforme a norma.
  • Sem frestas. Confira os cantos, o encontro da tela com o batente e o espaço atrás do ar-condicionado. Um gato passa por onde passa a cabeça.

A tela envelhece: sol e chuva ressecam o fio, e gatos arranham e mordem. Confira todas as telas pelo menos uma vez por ano: puxe com a mão, procure fios desfiados, ganchos frouxos e pontos que cederam. Troque quando estiverem gastas ou no prazo que o instalador recomendar, o que vier primeiro.

Aluguel e condomínio

Quem mora de aluguel também tela. A tela é presa com ganchos e sai quando você se mudar; avise o proprietário ou a imobiliária por escrito e, na saída, combine se ela fica ou se você retira e fecha os furos.

Em prédio, as regras sobre tela costumam tratar do padrão: cor, material e se ela vai por dentro ou por fora da janela, para não alterar a fachada. Nas disputas que chegam à Justiça, o que pesa é o que a convenção diz. Antes de contratar, leia a convenção e o regimento interno, avise a administração e peça ao instalador o modelo que o prédio aceita.

Gato em casa com quintal: tela nas janelas e no muro

Casa não dispensa tela. As janelas do segundo andar são uma rota de queda, e as do térreo, uma rota de fuga. Tele todas.

O quintal só é do gato se ele não puder sair dele. Muro baixo não segura um gato, e muro alto também não, se tiver árvore, telhado ou caixa d'água por perto. A solução é uma barreira contínua: tela no alto do muro voltada para dentro, que o gato não consegue escalar, ou o quintal inteiro telado, como um viveiro. O portão da garagem conta, inclusive as frestas de cima e de baixo. Nada de voltinha no fim da tarde, nem por cinco minutos.

Uma casa que o gato não quer deixar

A tela tira o gato da rua; o que tira a rua de dentro do gato é a casa. As diretrizes de bem-estar felino listam o que um gato que vive só dentro de casa precisa ter: lugares de descanso seguros, caça simulada, brincadeira, território com espaço vertical e caixa de areia limpa. Sem isso, o gato fica ansioso e estressado.

  • Arranhadores, mais de um, firmes e altos o bastante para o gato se esticar inteiro, perto de onde ele dorme e da porta de entrada.
  • Altura. Prateleiras, nichos, torres e o alto do guarda-roupa. Gato vê o mundo de cima, e espaço vertical aumenta o território sem aumentar a casa.
  • Uma janela telada com vista, com um lugar confortável para deitar. Passarinho, gente, chuva: é a televisão do gato.
  • Brincadeira todo dia. Duas ou três sessões curtas com varinha, imitando presa, terminando com o gato "pegando" o brinquedo e ganhando um petisco.
  • Caixa de areia limpa, retirada todo dia, longe da comida e da água.
  • Castração. Diminui a vontade de sair atrás de parceiro, de marcar território e de brigar. Gato castrado fica mais caseiro, e os termos de adoção costumam exigir a castração.

Passeio com peitoral: opcional, e só com treino

Alguns gatos gostam de passear de peitoral e guia. É opcional: nenhum gato precisa disso para viver bem, e muitos nunca vão gostar.

Se quiser tentar, faça devagar: primeiro o peitoral dentro de casa, por poucos minutos, com petisco; depois a guia, ainda em casa; só então um lugar tranquilo, sem cachorros e sem trânsito, sempre com você segurando a guia. Use peitoral próprio para gatos, bem ajustado, nunca só uma coleira no pescoço. Gato solto "porque está acostumado com a guia" é gato solto.

Os mitos que deixam o gato sair

"Gato precisa de liberdade." Gato precisa de território, caça, altura, observação e rotina. Uma casa telada e bem montada dá tudo isso, sem carro, veneno e briga.

"Meu gato volta sozinho." Volta, até o dia em que não volta. Os que voltam todo dia também são atropelados e envenenados.

"Ele nunca chegou perto da janela." Até o dia em que um pássaro pousa no parapeito. Gatos mudam de hábito, e basta uma vez.

"Moro em andar baixo." No estudo citado acima, a maioria das quedas foi do segundo ao quarto andar.

Por que as ONGs exigem tela e casa fechada

Nenhuma ONG séria entrega um gato a uma casa sem tela ou a quem pretende deixá-lo sair. A tela é conferida por fotos e na vistoria da entrega, e o compromisso fica por escrito. No termo de adoção do protetores.org, por exemplo, o adotante se compromete a manter o gato "exclusivamente dentro de casa, sem nenhum acesso à rua, com telas de proteção fixas em todas as janelas, sacadas, basculantes e demais aberturas, instaladas antes da chegada do animal e mantidas durante toda a sua vida".

Se você está se preparando para adotar, tele a casa primeiro e mande as fotos junto com o formulário. O guia como adotar um gato mostra o resto do caminho, e o dos primeiros dias em casa ensina a receber o gato num cômodo seguro. A tela é um gasto pequeno perto do que ela evita, e um gato que vive dentro de casa devolve isso por muitos anos.

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