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Vacinas para cães e gatos: calendário e vermífugo

A ONG entrega o animal vacinado e vermifugado, e dali em diante o calendário é seu. Quais vacinas cães e gatos tomam, quando vêm os reforços e como manter vermífugo e antipulgas em dia.

Confira a carteira de vacinação que a ONG entregou

As vacinas para cães e gatos adotados quase nunca começam do zero: ONGs sérias entregam o animal vacinado, vermifugado e com a carteira de vacinação em mãos. O que muda na adoção é quem cuida do calendário a partir dali, e o primeiro passo é entender o que já foi feito.

Na carteira, cada vacina tem a etiqueta do frasco (marca, lote, validade), a data da aplicação, a data da próxima dose e a assinatura e o carimbo do veterinário. Vacina registrada assim é a que vale como comprovante para viajar, hospedar o animal ou matriculá-lo numa creche. Pergunte à ONG o que não estiver escrito:

  • Qual vacina múltipla foi usada e quantas doses o animal já tomou.
  • Se tomou a antirrábica e quando.
  • Quando foi o último vermífugo e qual produto.
  • Se recebeu antipulgas e carrapaticida, e qual.
  • Para gatos, se o teste de FIV e FeLV foi feito e qual foi o resultado.

Leve a carteira na primeira consulta, que deve acontecer na primeira semana, como explica o guia dos primeiros dias em casa. Se o animal veio sem carteira, ou as doses são incertas, o veterinário trata como se ele não tivesse sido vacinado e refaz o esquema. Vacinar a mais é muito menos arriscado do que deixar uma lacuna.

Conheça as vacinas essenciais do cão: a múltipla e a antirrábica

Diretrizes internacionais de vacinação dividem as vacinas em essenciais, que todo cão deve tomar, e opcionais, indicadas conforme o risco. Para cães no Brasil, as essenciais são duas.

A vacina múltipla, conhecida pelo número de doenças ou de componentes: V8, V10 e variações. Ela protege contra cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina, parainfluenza, coronavírus canino e leptospirose. Cinomose e parvovirose são graves e muitas vezes fatais, principalmente em filhotes, e o vírus da parvovirose sobrevive por meses no ambiente. A leptospirose é transmitida pela urina de ratos, aumenta em época de enchentes e também pega em pessoas. A diferença entre V8 e V10 está, principalmente, no número de tipos de leptospira cobertos; a escolha é do veterinário, conforme a região.

A antirrábica. A raiva é fatal e passa para pessoas. A vacinação em massa tornou rara a raiva transmitida por cães nas cidades brasileiras, mas o vírus continua circulando em morcegos, que podem transmiti-lo a cães e gatos. Em muitas cidades a antirrábica é aplicada de graça nas campanhas e nos postos do serviço municipal de zoonoses.

As opcionais dependem da vida do cão: a vacina contra a tosse dos canis (gripe canina), que creches, hotéis e banho e tosa costumam exigir; a de giárdia; e, em regiões onde a leishmaniose é comum, a coleira repelente que o veterinário indicar e, em alguns casos, a vacina, que só pode ser aplicada em cães com exame negativo.

Conheça as vacinas essenciais do gato: a múltipla felina e a antirrábica

Para gatos, a lógica é a mesma, com vacinas próprias.

A vacina múltipla felina. A V3 protege contra panleucopenia, rinotraqueíte e calicivirose; a V4 acrescenta a clamidiose; a V5 acrescenta a leucemia felina (FeLV). A panleucopenia é muito contagiosa e grave em filhotes. Rinotraqueíte e calicivirose formam a chamada gripe felina, comum onde vivem muitos gatos juntos, como abrigos e lares temporários.

A vacina contra a FeLV só é aplicada em gatos com teste negativo, e é indicada principalmente para filhotes e para gatos que convivem com outros gatos de situação desconhecida. Para um gato adulto que vive sozinho e só dentro de casa, o veterinário pode considerá-la dispensável. Por isso a escolha entre V3, V4 e V5 é feita na consulta, não na prateleira.

A antirrábica. Vale também para o gato que nunca sai de casa: morcegos entram em casas e apartamentos, e gatos caçam o que entra. É a vacina que o gato não pode deixar de ter.

Um cuidado próprio dos gatos: raramente, um tumor pode se formar no local de uma injeção. Por isso os veterinários aplicam as vacinas em pontos específicos e pedem que você observe a região. Um caroço que dura mais de três meses, passa de dois centímetros ou continua crescendo um mês depois da vacina deve ser examinado.

Complete o esquema do filhote ou do adulto sem histórico

Filhotes recebem anticorpos da mãe que os protegem nas primeiras semanas, mas que também podem anular a vacina. Por isso o esquema inicial tem várias doses. As diretrizes internacionais recomendam começar entre seis e oito semanas de vida, repetir a cada duas a quatro semanas e dar a última dose do esquema com dezesseis semanas ou mais, tanto para cães quanto para gatos. A antirrábica entra a partir das doze semanas. Depois vem um reforço entre seis meses e um ano de idade, conforme o veterinário.

Se o filhote adotado ainda está no meio do esquema, siga as datas da carteira. Até o veterinário liberar, evite chão de praça, calçada e contato com cães de vacinação desconhecida. Isso não significa isolar: colo, passeio de carro, visitas a casas tranquilas e convivência com cães vacinados e conhecidos ajudam a socializar sem risco.

Para adultos sem histórico, o veterinário costuma aplicar a vacina múltipla em duas doses, com três a quatro semanas de intervalo, e a antirrábica em uma. Em cães, a parte da leptospirose sempre exige duas doses no início; em gatos, as diretrizes também indicam duas doses da múltipla para quem não tem histórico conhecido.

Marque os reforços e saiba quais reações são normais

Depois do esquema inicial, os reforços mantêm a proteção. No Brasil, a vacina múltipla do cão é reforçada todo ano, em boa parte porque a leptospirose só protege por cerca de um ano e vem no mesmo frasco. Para gatos adultos que vivem só dentro de casa, as diretrizes internacionais aceitam intervalos maiores para parte da múltipla; o veterinário decide pelo risco e pela vacina usada. A antirrábica segue o intervalo indicado pelo fabricante e pelo veterinário. Anote a data do próximo reforço no celular assim que sair da consulta.

Animais idosos continuam sendo vacinados: a idade não dispensa os reforços, e o veterinário ajusta o plano à saúde de cada um. Os guias de adoção de cães idosos e de adoção de gatos idosos falam do acompanhamento nessa fase.

Reações leves são comuns e passam em um ou dois dias: sono, menos apetite, febre baixa, um inchaço sensível no local. Volte ao veterinário na hora se, nas horas seguintes, aparecer inchaço no rosto, placas vermelhas na pele, vômito, diarreia, dificuldade para respirar ou fraqueza. São raros, mas são urgência.

Vacina e vermífugo no mesmo dia costumam não ser problema; alguns veterinários preferem vermifugar alguns dias antes, principalmente em filhotes muito infestados. Pergunte na consulta.

Mantenha o vermífugo em dia, pelo peso e com o veterinário

Vermes são comuns em animais resgatados, e alguns passam para pessoas: a lombriga do cão e do gato e o verme que causa o bicho geográfico infectam principalmente crianças que brincam na terra e na areia. Recolher as fezes e manter o vermífugo em dia protege a casa inteira.

  • Filhotes são vermifugados com frequência: a cada duas semanas nas primeiras semanas de vida e, depois, todo mês até os seis meses, segundo as diretrizes de parasitologia veterinária.
  • Adultos, sem exame de fezes, devem ser vermifugados pelo menos quatro vezes por ano, segundo as mesmas diretrizes, e com mais frequência quando o risco é maior. Outra opção é fazer exame de fezes periódico e vermifugar quando der positivo; o veterinário indica o caminho.
  • Gato que não sai de casa também precisa. Pulgas transmitem uma tênia, gatos caçam insetos e lagartixas, e ovos de vermes entram nos sapatos.

A dose é pelo peso, então pese o animal antes de comprar. Use produto de cão para cão e de gato para gato. Nem todo vermífugo trata giárdia, que pede remédio próprio. E em regiões litorâneas, onde a dirofilariose (o verme do coração, transmitido por mosquito) é mais comum, o veterinário pode indicar prevenção mensal para cães e, em alguns casos, para gatos.

Proteja contra pulgas e carrapatos com o produto certo para cada espécie

Pulgas causam coceira e alergia e transmitem vermes. Carrapatos transmitem a erliquiose e a babesiose, a chamada doença do carrapato, que pode ser grave em cães. A proteção vem em coleira, pipeta ou comprimido, cada um com sua duração; o veterinário indica o que combina com o animal e com a região.

Uma regra salva vidas: nunca use produto de cão em gato. Muitos antipulgas para cães contêm permetrina, que é tóxica para gatos e pode matá-los, mesmo em pequena quantidade. Em casas com cão e gato, pergunte ao veterinário se o produto do cão é seguro para o gato que dorme encostado nele. Também não divida a pipeta de um cão grande entre animais menores: a dose errada falha ou intoxica.

Quando há mais de um animal em casa, trate todos ao mesmo tempo, porque pulgas passam de um para o outro e boa parte delas vive no ambiente, não no animal. Se outro animal vai chegar, vacinas, vermífugo e antipulgas em dia nos dois vêm antes do primeiro encontro; o guia como apresentar gato e cachorro explica o resto.

Vacinas, vermífugo e antipulgas são despesas fixas de quem tem um cão ou um gato, todos os anos. A calculadora de custo mensal ajuda a pôr esse valor no orçamento, ao lado de ração, areia e consultas, antes que a data do reforço chegue.

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